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domingo, 22 de janeiro de 2012

Decisões, decisões

Oi, pessoal

Como tenho dito sempre, ser pai é bem legal, mas dá um meeedo. Como pais, temos a responsabilidade de tomar todas as decisões relativas ao presente e futuro de nossos nanicos. É muita responsa. Segundo li em algum lugar, até os sete anos de vida a criança terá desenvolvido e solidificado todas as as suas características de personalidade, estando, portanto, estabelecidas as bases que definirão seu caráter e seus valores quando adulto. Ou seja, já pararam pra pensar que algumas das decisões que tomarmos hoje vão afetar a vida de nossos filhos para sempre! Caraca, é muita pressão!!!

E dentre estas escolhas, uma das mais fundamentais talvez seja a escolha da escola. Ou mais ainda, a metodologia de ensino que esta usa. Aqui em casa, depois de pensar muuuuito mesmo, optamos por um tipo de metodologia alternativo, a chamada metodologia Waldorf, criada por Rudolf Steiner em 1919, em Stuttgart, Alemanha. E como estamos gostando muito dos resultados que estamos obtendo com a Helena, os quais nos fizeram optar pela mesma metodologia para as outras duas nanicas, resolvi falar um pouco sobre isso hoje.

Como o tema é muito amplo, e o post ficou mesmo enorme, resolvi dividir o assunto. Nesta semana, vou falar um pouco sobre a metodologia Waldorf em si, com foco nas principais diferenças entre esta e a metodologia, digamos, tradicional. Nas próximas semanas, pretendo abordar um pouco o processo decisório em si, falando das principais dúvidas e inseguranças que eu e a Rê encaramos e os principais aspectos que motivaram nossa escolha final. Por fim, vou abordar um pouco os resultados que estamos obtendo com a Helena, os quais hoje me fazem acreditar que tomamos a decisão certa.

Vamos lá então.

Para começar, transcrevo abaixo, com a devida vênia, um trecho do sítio da Sociedade Antroposófica do Brasil sobre a metodologia Waldorf:

“Ela é uma pedagogia holística em um dos mais amplos sentidos que se pode dar a essa palavra quando aplicada ao ser humano e à sua educação. De fato, ele é encarado do ponto de vista físico, anímico e espiritual, e o desabrochar progressivo desses três constituintes de sua organização é abordado diretamente na pedagogia. Assim, por exemplo, cultiva-se o querer (agir) através da atividade corpórea dos alunos em praticamente quase todas as aulas; o sentir é incentivado por meio de abordagem artística constante em todas as matérias, além de atividades artísticas e artesanais, específicas para cada idade; o pensar vai sendo cultivado paulatinamente desde a imaginação dos contos, lendas e mitos no início da escolaridade, até o pensar abstrato rigorosamente científico no ensino médio. O fato de não se exigir ou cultivar um pensar abstrato, intelectual, muito cedo é uma das características marcantes da pedagogia Waldorf em relação a outros métodos de ensino. Assim, não é recomendado que as crianças aprendam a ler antes de entrar na 1a série [...]. Como o computador força um pensamento lógico-simbólico, nenhuma escola Waldorf digna desse nome utiliza essa máquina, sob qualquer forma, antes do ensino médio (9a série na seriação Waldorf) [...]”

Mais especificamente no que se refere aos nanicos, a metodologia entende que a criança, até os sete anos, deve desenvolver a habilidade de se relacionar com os outros. Competição e qualquer aspecto relacionado a ela são completamente desestimulados. Assim, as coisas são de uso comum, compartilhadas entre todos. Roupas e mochilas de marca, presentes comprados ou similares são desestimulados na escola, dando-se muito valor a coisas criadas pelas próprias crianças. Os presentes são artesanais, fabricados pela turma para o aniversariante. A televisão (e similares) simplesmente NÃO EXISTEM na escola, e o seu uso em casa também é desaconselhado. As crianças passam os dias lendo estorias, fazendo teatro, pintura, escultura, artesanato, dança. Em conjunto trabalham a terra, fazem pão, cozinham e organizam os seus ambientes (limpam a louça, varrem o chão, arrumam a sala de aula, obviamente com a participação e orientação dos professores e respeitadas as restrições de habilidades inerentes ao seu desenvolvimento em função da idade). A alimentação é o mais natural possível, e o contato e respeito para com a natureza é uma característica muito incentivada. Na escola, as crianças fazem reciclagem e compostagem. Inclusive, a escola tem horta orgânica e animais que são cultivados e cuidados pelos próprios alunos. Na escola da Helena há, inclusive, uma enorme tartaruga chamada Catarina, que circula livremente pelo pátio, participando, eventualmente, das brincadeiras das crianças.

Outra característica interessante é que as turmas não são dividas por idade, e não existe qualquer tipo de segregação. Assim, crianças de idades diferentes, e mesmo aquelas portadoras de deficiência, convivem dentro de um mesmo ambiente (ao menos na escola da Helena em Cuiabá era assim). Todos os alunos têm, em maior ou menor grau, dependendo de seu desenvolvimento psico-motor, obrigações e responsabilidades individuais e para com o grupo, todos sentem-se úteis e são estimulados a participar, respeitadas as suas limitações. Novamente, sempre com o foco na convivência, aprendendo a entender e respeitar as diferenças.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção, e que mais me causou dúvidas no começo, é que não existe uma preocupação com o formalismo do conteúdo (o que não quer dizer que os mesmos não sejam passados). A maneira de ensinar é que é diferente. Assim, ninguém precisa decorar a tabuada ou o alfabeto, não existem cartilhas, não se “ensinam”  os nomes das cores, etc. O conteúdo é passado de uma maneira totalmente lúdica e sem compromisso. Além disso, o mesmo professor acompanha os alunos durante todos os anos em que estes permaneces na escola. Não há provas nem reprovações, e a turma é a mesma durante todos os anos  (na verdade, a única mudança é que todo ano os alunos mais velhos se formam e saem, e entram alunos novos).

Bom gente, estes são os principais aspectos da metodologia. O tema, como disse, é bem amplo, e não sou especialista, nem pretendo esgotar o assunto aqui. Para quem quiser saber mais um bom lugar pra começar é o link da
Sociedade Antroposófica do Brasil. Mas já deu pra perceber que é bem diferente (e, fala a verdade, muito mais divertido) da “escola da titia” que eu frequentei quando era pequeno.  E certamente que isso me trouxe muitas dúvidas e insegurança no princípio. Mas falo disso na semana que vem.

Por hoje vou parando por aqui, que já tá comprido pra caramba.

Abraços.

Marlon.

Um comentário:

Motivo Para Sorrir disse...

continuar a mesma turma e professor é legal né? pelo menos na maioria dos casos, eu bem que queria que a professora do ano passado continuasse este ano com minha pequena, ela é muito boa, e minha filha adora ela.