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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Decisões, decisões... - Parte II

Olá gente,

Continuando o raciocínio da semana passada, estive falando um pouco sobre a metodologia Waldorf. Deu pra perceber que o método é bastante diferente da metodologia tradicional. E isso, certamente, me trouxe uma série de dúvidas na hora de decidir.

A primeira foi sobre o não estímulo à competição, afinal, vivemos num mundo competitivo. Desde cedo as escolas preparam e até estimulam as crianças a conviver neste contexto. Nossos filhos são treinados para competir. Quem tirou a melhor nota, quem tem o caderno mais caprichado. E indiretamente também. Quem tem (e, principalmente, quem não tem) a mochila do “Ben Dez” ou a sapatilha das “Princesas” ou o caderno da “Pucca”. Com a evolução do crescimento, este quadro se agrava. Prova pra passar de ano, ENEM, vestibular. E a escola acaba se tornando um meio de treinamento das crianças e jovens para vencerem estas etapas impostas pelo sistema educacional. Pra confirmar, basta ver o que são os “terceirões” das escolas particulares. Puro e simples adestramento para vestibular. Sim, porque, como bem dizia o Renato Russo, “você tem que passar no vestibular!”. E assim, educar uma das minhas filhas num ambiente que, além de não preparar para, desestimula a competição, realmente me trazia muitas incertezas com relação ao futuro dela. Será que ela se sentiria pronta quando fosse necessário competir, será que saberia lidar com esse tipo de pressão?

Outra característica do método que gerou certa discussão a princípio foi a não alfabetização antes dos sete anos. Se bem que isso até que não me preocupava muito. Eu mesmo, só aprendi a ler na primeira série, e não cursei pré-escola. Mas acho até que era mais do que isso. A característica de não formalização de de conteúdo nos moldes clássicos me preocupava um pouco. Até mesmo alguns amigos levantaram esta questão em algumas conversas, e não posso negar que pensava um pouco como eles. Não iria a Helena sentir-se de alguma forma inferiorizada em relação aos amiguinhos “não Waldorf”, que já iriam saber contar e identificar as letras? O que ela faria na escola então se não fosse “aprender” essas coisas? A Helena iria ser a única da turminha que não iria saber ler ou contar? Será que isso poderia trazer algum trauma futuro?
Aliás, repararam como a gente tem a necessidade de avaliar a evolução da criança através de parâmetros objetivos que a gente possa mensurar? Se der pra ser na forma de um número então, melhor ainda? “Você viu, o fulaninho já tá aprendendo Inglês na escola (O moleque tem só três anos gente!!). Já sabe a tabuada do 3. Já sabe escrever o nome dele sozinho”. E a falta desses parâmetros me preocupava também. Que parâmetros usaria eu para avaliar os resultados da escola? E mais, não estaria prejudicando a Helena ao não propiciar a ela este tipo de informação já desde cedo, fazendo com que ela “largasse atrasada"?

Finalmente, o fato de o professor ser o mesmo durante toda a escola também me preocupava. E se a metodologia do professor não fosse adequada? Ou se a Helena não se adaptasse ao estilo da professora? Ou ainda, não seria interessante pro desenvolvimento dela essa mudança de professor, como forma de ensinar a lidar com diversas formas de ministrar conteúdo?

Enfim, estas, dentre outras, eram as questões que passaram na minha cabeça quanto fui matricular a Helena na escolinha chamada “Moitará”, na cidade de Cuiabá. Mas ainda assim resolvi fazer um período de experiência, principalmente em função de uma menina chamada Mônica, que tive a oportunidade de conhecer ainda na época de faculdade. Mônica era uma das filhas adolescentes de Anne Marie, uma senhora total e completamente “alternativa” que obtinha sua renda de quartos que alugava em sua casa, num dos quais residi nos três primeiros anos de faculdade. Me chamou muito a atenção na época o nível de maturidade e segurança que a Mônica apresentava para uma adolescente de 15 anos. A menina era completamente segura e confiante em si mesma. Não ligava mesmo para a opinião dos outros. Vestia o que a mãe podia comprar, e realmente não se incomodava com isso, não dava a mínima importância para coisas como marca ou moda. Tinha uma criatividade e capacidade de raciocínio admiráveis. Sabia pensar por si mesma, e avaliar fatos com muita propriedade antes de formar seus conceitos e emitir suas opiniões. Sem contar a maturidade e aptidão para liderança. E, principalmente, era completamente feliz consigo mesma e aceitava muito bem suas eventuais limitações. Enfim, acabei descobrindo que a Mônica tinha sido aluna Waldorf a vida inteira. Assim, quando me vi na situação de matricular a Helena na Moitará, lembrei-me da Mônica e pensei que gostaria muito de ter uma filha adolescente segura, criativa, inteligente e bem resolvida como aquela menina que conhecera tantos anos atrás. E por isso resolvi fazer o teste, e, digo, estou completamente satisfeito. Hoje, observando os resultados, tenho muita convicção de que fiz a escolha certa, e as dúvidas e incertezas que relatei acima foram se dissipando uma a uma. A evolução da Helena é notável, e percebo claramente a influência da escola nisso. Mas isso é assunto pro post da semana que vem.

Abraços

Marlon

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